As perguntas que jaziam em nós...
Se nós realmente ficarmos juntos — e eu disse realmente porque o irreal também nos ficou, e por um tempo foi o irreal que nos sustentou — eu penso que a nossa história já terá nascido de um jeito que não sei nomear ainda. Nomear mata um pouco. Deixa eu não nomear por enquanto. Bonita não é a palavra certa. Mas é a palavra que tenho. E há momentos em que a palavra errada dita com honestidade chega mais perto da verdade do que a palavra certa dita com pressa. Bonita não porque foi perfeita. Bonita porque não nasceu pronta. Bonita porque foi viva. E as coisas vivas têm irregularidade, têm o cheiro de coisa que ainda não está pronta. O que houve entre nós tinha pulso. Talvez as coisas mais verdadeiras sejam assim: não chegam fazendo alarde. Chegam perguntando. Às vezes fico pensando como vamos responder quando alguém perguntar como foi. E percebo que a pergunta já me faz gaguejante por dentro, porque você não aconteceu do jeito que se escolhe uma fruta no mercado, com cr...
