A aritmética dos imbecis e o silêncio dos que já responderam a Deus
Há uma insolência peculiar na miopia. Há quem julgue com a precisão cirúrgica que só a ignorância mais estrita lhe confere. Olham de relance, digerem mal, sentenciam em definitivo e batizam essa pressa indigesta de “discernimento”. É a aritmética dos imbecis: quanto menor o horizonte, mais pesada a condenação, como se a complexidade de uma existência pudesse ser espremida no lodo de uma impressão rasteira. Mas, honestamente? Esgotei-me da paciência de ser traduzido por analfabetos que desconhecem a sintaxe da própria alma. Portanto, recuo. Entro no quarto e tranco a porta. Ali desaba a ilusão de que a vida se resolve no asfalto, no argumento, na reiteração exaustiva de explicações aos de fora. Essa gente é herdeira direta dos fariseus que exigiam a circuncisão alheia: fiscais da intimidade do outro, obcecados em mutilar prepúcios e vistoriar clitóris, acreditam que devam desenhar a intimidade do outro para que este caiba nos parâmetros de sua seita particular. Mas Deus não se ...


